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O júri reuniu após a 4ª e última sessão e, tendo em conta a votação do público (peso de 20%), deliberou os seguintes finalistas (ordem alfabetica): Million Dollar Lips (Sesimbra); The Mad Dogs (Porto); The Profilers (Sintra).

final-corroios

No próximo sábado, pelas 22h00, no Cine-Teatro do Ginásio Clube de Corroios, sobem ao palco as 3 bandas finalistas. No final, o convidado Slimmy encerra a edição deste ano.

Saudações musicais,
Carlos Santos

[ MySpaces ]
www.myspace.com/theprofilers74
www.myspace.com/themaddogs
www.myspace.com/milliondollarlips

[ Fotos de alta resolução ]
MillionDollarLips.rar
TheMadDogs.rar
TheProfilers.rar

[ Podcasts ]
The Cynicals - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-01-15T08_20_33-08_00.mp3
The Poppers - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-01-22T11_35_04-08_00.mp3
Plastica - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-01-25T18_49_03-08_00.mp3
YSGA - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-02-04T16_53_48-08_00.mp3
Slimmy - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-02-14T04_53_52-08_00.mp3
1ª Sessão - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-02-19T09_30_18-08_00.mp3
2ª Sessão - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-02-26T11_09_34-08_00.mp3
3ª Sessão - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-03-05T05_11_51-08_00.mp3
4ª Sessão - http://festivaldecorroios.podomatic.com/enclosure/2008-03-11T15_44_21-07_00.mp3



03 7th, 2008

A terceira sessão Festival de Música Moderna de Corroios mudou-se de malas e bagagens para o Espaço da Mundet. Com a belíssima baía do Seixal a seus pés e o tempo de feição - prometia mais um Sábado inesquecível da XIII edição - que este ano abre a porta à electrónica sem esquecer a tradição do rock n’ roll.

Os Display vieram do Porto e segundo nos confidenciaram, tiveram uma viagem de comboio atribulada. Inauguraram a noite e desfrutaram de cada momento sem pressa de acabar, imprimindo pela primeira vez este ano, o cunho nortenho em músicas que revisitaram a brit-pop. Miguel Silva, o vocalista, aparentemente negligente, traçava a linha Lloyd Cole com um registo de voz fino e vacilante como o corte de uma navalha por afiar.

Million Dollar Lips de Sesimbra trouxeram um sentido de “star system” apuradíssimo e não deixaram nada ao acaso. Z o vocalista e baixista abusa da sombra negra nos olhos e estabelece uma bela paleta de cores ao vestir uma camisa, criteriosamente abotoada, verde alface. A voz não é a melhor do mundo mas usa-a com inteligência num registo rebelde por vezes áspero e com os recursos tecnológicos adquire uma toada robótico. O olhar esfuma-se na multidão, ele sabe que dá uma bela fotografia. Obsessive Jon, o guitarrista, só é diferente na indumentária (ou falta dela). Tronco nu, calças de cabedal e cachecol de plumas preto, prende-se nas malhas com uma garra desmedida. Ele posa deliberadamente e cola o pé no peito de Z na esperança que algum fotógrafo capte o momento. A dar o mote, o discreto Lazy nos teclados, fazia a festa acontecer. Electro-Rock, ao mais alto nível com o VJ a lançar imagens frenéticas ao ritmo da música, do seu próprio instinto ou simplesmente da inspiração - é responsável por momentos únicos e irrepetíveis. O que se passou em palco chama-se “um verdadeiro espectáculo” com direito à celebração permanente dos músicos entre si, brindado com copos de plástico e a convidarem-nos para entrar naquela viagem onde íamos de encontro a muito dos nossos ídolos do passado. Aliás, o colectivo assume uma série de referências de estilos tão distintos que vão de Queen a Vivaldi.

A banda convidada Peixe: Avião, um projecto novo com um grupo de rapazolas de tenra idade que vieram de Braga e mostraram-nos porque são uma das grandes expectativas para 2008 na música portuguesa. Neste caso a idade quer dizer tão pouco, afinal são pessoas que respiram música 24 horas por dia e envolvem-se em vários projectos ao mesmo tempo. Há elementos dos Jazz Iguanas ou Old Jerusalem, entre muitos outros. Os Peixe:Avião, são poesia cantada em português na voz de um anjo, Ronaldo, por vezes muito próximo do registo etéreo de Thom Yorke. Aliás a critica chama-os de pós-Radiohead e a verdade deve andar algures por ai. Comparações à parte estão a preparar o lançamento do primeiro CD mas a demo vendeu que nem gingas na Mundet. O experimentalismo desmedido dos bracarenses levou-nos à redescoberta de novos sons, captados de várias formas até mesmo raspar com a baqueta no prato da bateria. Entraram numa cápsula, levantaram voo e lá ficaram compenetrados, raras vezes encarando de frente o público, espectador atento ao frenesim. Só aterraram, literalmente, quando pousaram os instrumentos no chão. No fim, uma sincera ovação e um convite para voltarem em breve.

Texto: Claudia Matos Silva
Fotos: José Frade
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Entre o Céu e o Inferno

Author: frsantos
03 4th, 2008

21h.45m.
Ultimávamos os preparativos para a segunda sessão do Festival de Música Moderna de Corroios. Este ano a organização equilibrou a balança entre rock da velha guarda e electrónico a cheirar a pastilha elástica – proporcionando actuações ecléticas - próprias para amantes de música. À semelhante do Sábado anterior, esperava-se uma noite recheada de talento “made in Portugal”.

22h.
Os amigos, familiares e fans das bandas foram convidados a entrar para o recinto. Os fotógrafos colocaram-se nas suas habituais posições para conseguirem os melhores ângulos em toda a extensão da “boca de cena”. Enquanto o espectáculo não arrancava os presentes; confraternizavam, fumavam no terraço um último cigarro ou espreitavam a pequena banca assegurada pelo movimento IN que vendia merchandise.

22h.30m.
O palco Corroios abria com os almadenses We Not. A sensação que se instalou foi de que tínhamos morrido e que as portas do céu se abriram naturalmente. Havia festa da rija, um som que apelava à dança frenética e uma vocalista serena que nos convidava a entrar com gestos delicados. A suavidade da pele tom chocolate, o vestido encarnado, as meias de liga negras com sapatos de agulha vermelhos, deixava-nos desconfiados, seria uma armadilha? Estaria o diabo atentando estes pobres mortais? Os almadenses We Not conquistaram-nos com Tiago embrenhado nas batidas fortes – qual coleccionador de detritos sonoros - e que tão agressivamente nos impeliam para a pista. Rui, o guitarrista, não dava tréguas - a sua postura bem mais contida do que o senhor dos sintetizadores – contrastava com acordes pujantes. Liliana deixou para trás as referências RnB, assumiu o papel de “front-woman”, de voz delicada mas encorpada q.b. para se impor às batidas provocatórias de Tiago. Seduzia pela contenção entre a elegância de uma senhora e a ingenuidade de uma menina que sorria quando o público mostrava receptividade. Não deixa de ser curioso que Liliana juntasse os seus próprios aplausos aos do público. As emoções estavam ao rubro e eram vividas em colectivo. Queremos que os We Not continuem a levar outras pessoas ao céu pelo que não devem assentar arraiais mas sim fazerem-se à estrada para olearem a máquina de palco.

23h.15m.
O ambiente fica estranhamente pesado. Há silencio aterrador e entram em palco os Suprah vestidos de fato de macaco escuro com capuz e assim não se distinguem uns dos outros. Soam os primeiros acordes e temos a certeza de o céu e o inferno se juntaram no passado Sábado em Corroios. Os Suprah foram mistério, obscuridade e o dramatismo corporal de Bruno Batista, o vocalista, por vezes encenando ataques deliberados de quem se rendia à condição de refém da sua própria música. A voz sempre impecável do “front man” sem rosto encheu o palco mas não estava sozinho.Os restantes elementos perfeitamente rígidos e imóveis, como se estivessem colados ao chão, musculavam aquele rock que nunca perdeu o fôlego com a bateria do João a marcar um compasso demente, desatinado e louco. Há nos Suprah o peso de uma banda experiente e que sabe perfeitamente como conduzir o público ao inferno em chamas. A uniformização em palco, os rostos encobertos e os corpos anafados pelos fatos largos acrescenta algum horror ao colectivo constituído a bem da verdade por um grupo de bons rapazes sorridentes e de bem com a vida.

24h.
Os You Should Go Ahead abriram o ano de concertos no palco Corroios. Pedro Lourenço, o vocalista de humor seco e certeiro, apresentou não só os temas esperados do álbum de estreia da banda. Ouvimos algumas músicas novas do disco “Emotional Cocktail”, a sair para o mercado muito em breve. O novo single deverá rebentar nas rádios na próxima semana. A provar que o Punk não morreu, os You Should Go Ahead foram eles mesmos com músicas STP – Straight to the Point – melodias rápidas, encorpadas e orelhudas. Embora tenham participado várias vezes ao Festival de Corroios e nunca tenham vencido nenhuma das vezes, o palco continuava à espera deles e concedendo-lhes o título de convidados especiais. Lá diz o ditado: Deus escreve certo por linhas tortas….

Texto: Claudia Matos Silva
Fotos: José Frade

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